{"id":21571,"date":"2020-11-18T20:01:35","date_gmt":"2020-11-18T20:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=21571"},"modified":"2021-12-17T11:35:56","modified_gmt":"2021-12-17T11:35:56","slug":"a-aja-faz-hoje-33-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/a-aja-faz-hoje-33-anos\/","title":{"rendered":"A AJA faz hoje 33 anos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-21311\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2020\/03\/AJA-Zeca-Afonso.jpg\" alt=\"AJA-Zeca-Afonso\" width=\"480\" height=\"369\" \/><\/p>\n<p>A AJA faz hoje 33 anos. Foi fundada por pessoas que n\u00e3o queriam que a mem\u00f3ria de Jos\u00e9 Afonso, tanto como artista como ser humano, se esfumasse, na for\u00e7a das ideologias e na indiferen\u00e7a dos dias. Ao longo destes 33 anos houve altos e baixos na Associa\u00e7\u00e3o mas nunca esmoreceu essa vontade de criar desassossego, como defendia Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n<p>Esta data que hoje celebramos em confinamento, tem sido recordada com v\u00e1rias actividades realizadas pelos diferentes N\u00facleos e, nos \u00faltimos anos, com um Concerto que de alguma forma recorde o homem e o artista, cujo legado nos continua a emocionar e a transmitir mensagens de necessidade de alerta permanente na defesa da dignidade dos seres humanos.<\/p>\n<p>Este ano, o tempo passou da mesma forma, mas decorreu de forma muito diferente. O que t\u00ednhamos planeado para este dia evaporou-se com a entrada de um v\u00edrus no nosso quotidiano que imp\u00f4s a adop\u00e7\u00e3o de normas, comportamentos e ritos em que o afastamento de uns e outros \u00e9 priorit\u00e1rio. Como festejar algo sem que as m\u00e3os se d\u00eaem, os corpos se abracem, as bocas se mostrem num sorriso pelo encontro?<\/p>\n<p>Hoje somos dominados\u00a0 por um v\u00edrus com direito de antena di\u00e1ria, com contagem dos seus mortos, dos infectados, que de forma velada instaura o p\u00e2nico, o medo ou ent\u00e3o o seu aposto-o negacionismo- que \u00e9 a forma mais perigosa de lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Que a estrat\u00e9gia do choque n\u00e3o seja a de aproveitar esta pandemia t\u00e3o perigosa para instalar o medo, antes fa\u00e7a compreender que estamos num momento de encontro hist\u00f3rico da humanidade, fa\u00e7a perceber que h\u00e1 outras formas de ver o mundo, de viver a vida sem depreda\u00e7\u00e3o, de modo humano, com amor, com consci\u00eancia da vida breve. Sim, estamos em risco permanente. Viver \u00e9 arriscado. Mas temos que saber aceitar o risco e saber geri-lo ao ponto de n\u00e3o ficarmos travados pelo medo. Esse medo que traz \u00e0 superf\u00edcie a parte pior de cada ser. O medo \u00e9 um campo f\u00e9rtil para a xenofobia, os falsos moralismos, o julgamento do comportamento dos outros. Esta amea\u00e7a planet\u00e1ria, obscura, criou de tal modo uma emo\u00e7\u00e3o global que estaremos muito abertos para que limitem as nossas liberdades em prol da seguran\u00e7a. S\u00f3 que a dicotomia entre liberdade e seguran\u00e7a n\u00e3o existe. \u00c9 uma fal\u00e1cia. S\u00f3 com as armas da liberdade se pode dar respostas concretas \u00e0 falta de seguran\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel sanit\u00e1rio mas em todas as outras dimens\u00f5es da vida.<\/p>\n<p>Achamos que estamos num momento hist\u00f3rico da humanidade. Ser\u00e1 que o saberemos aproveitar? Faz-nos falta o conselho de Zeca e outros que, como ele, viam mais longe porque sempre voaram mais alto.<\/p>\n<p>Viva, Zeca Afonso! Viva a AJA!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A AJA faz hoje 33 anos. 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