{"id":17226,"date":"2013-07-24T16:20:19","date_gmt":"2013-07-24T15:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=17226"},"modified":"2021-12-17T11:37:09","modified_gmt":"2021-12-17T11:37:09","slug":"discurso-de-abertura-do-concerto-os-vampiros-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/discurso-de-abertura-do-concerto-os-vampiros-50-anos\/","title":{"rendered":"Discurso de abertura do concerto &#8220;Os vampiros&#8221; 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/07\/972238_658876917474088_180054227_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17227\" alt=\"972238_658876917474088_180054227_n\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/07\/972238_658876917474088_180054227_n.jpg\" width=\"477\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Discurso de abertura do Concerto na Aula Magna de Tributo a Jos\u00e9 Afonso, pelo Professor Doutor Ant\u00f3nio Sampaio da N\u00f3voa, reitor da Universidade de Lisboa.<\/strong><br \/>\n<strong> Lisboa, 20 Junho 2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tencionava falar-vos. Apenas receber-vos nesta Aula Magna, junto com o Zeca.<br \/>\nMas o Francisco Fanhais disse-me que tinha de vos dirigir duas palavras. Estas palavras foram-me oferecidas durante o dia.<br \/>\nDe manh\u00e3, quando vinha para a Reitoria, o meu pai chamou-me a aten\u00e7\u00e3o para o facto de que, neste mesmo ano de 1963, tinha sido publicada a Pacem in Terris. E que nela se escrevia:<br \/>\nQuando algu\u00e9m toma consci\u00eancia dos seus direitos, assume tamb\u00e9m uma responsabilidade: o dever, a obriga\u00e7\u00e3o, de lutar por esses direitos. Por si e pelos outros.<br \/>\nE aqui estava o Zeca. Claro e l\u00edmpido nesta frase. Aut\u00eantico, generoso, a lutar por direitos inalien\u00e1veis (irrevog\u00e1veis.., acho que irrevog\u00e1veis n\u00e3o se pode dizer!), a lutar pela liberdade, uma liberdade que n\u00e3o existe sem direitos.<br \/>\nE depois, durante a tarde, algu\u00e9m deixou na Reitoria, em meu nome, um ramo de cravos vermelhos, apenas com uma palavra: Obrigado. Estes cravos vermelhos que berram em violenta beleza (Clarice Lispector).<br \/>\nSei que eram para o Zeca. Para o seu sonho, para a forma como lutou e como nos fez lutar pela liberdade.<br \/>\nE lembrei-me que, nesse mesmo ano de 1963, quando o Zeca denunciava os vampiros, tamb\u00e9m Martin Luther King o fazia, do mesmo modo, ainda que do outro lado do Atl\u00e2ntico, deixando-nos a todos o seu sonho.<br \/>\n\u00c9 assim com o Zeca. H\u00e1 sempre outro amigo tamb\u00e9m. Pode ser uma pessoa, pode ser uma ideia, pode ser um combate, sempre pela liberdade, sempre pela justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Calados e quietos \u00e9 que n\u00e3o!<br \/>\nConformados \u00e9 que n\u00e3o!<\/p>\n<p>J\u00e1 nos livramos do medo e hoje<\/p>\n<p><em>Somos n\u00f3s os teus cantores <\/em><br \/>\n<em> Da matinal can\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>E agora que<\/p>\n<p><em>Venha a mar\u00e9 cheia, Duma ideia, Pra nos empurrar<\/em><br \/>\n<em> Que venha um pensamento, P&#8217;ra nos despertar<\/em><\/p>\n<p>O Zeca est\u00e1 em n\u00f3s, est\u00e1 connosco, com os seus sonhos, as suas den\u00fancias, a sua imensa autenticidade, a sua imensa generosidade.<\/p>\n<p><em>Que venham mais cinco!<\/em><br \/>\nZeca,<em> somos n\u00f3s os teus cantores.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de abertura do Concerto na Aula Magna de Tributo a Jos\u00e9 Afonso, pelo Professor Doutor Ant\u00f3nio Sampaio da N\u00f3voa, reitor da Universidade de Lisboa. 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