{"id":16348,"date":"2013-03-03T13:41:53","date_gmt":"2013-03-03T13:41:53","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=16348"},"modified":"2021-12-17T11:37:29","modified_gmt":"2021-12-17T11:37:29","slug":"sobre-um-concerto-em-viana-do-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/sobre-um-concerto-em-viana-do-alentejo\/","title":{"rendered":"Sobre um concerto em Viana do Alentejo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/03\/11.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16349\" alt=\"1\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/03\/11.jpg\" width=\"477\" height=\"358\" \/><\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 as cantigas eram recebidas de armas nas m\u00e3os\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 precisamente quarenta anos, no dia 3 de Mar\u00e7o de 1973 e a pouco mais de um ano da eclos\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, Viana do Alentejo assistiu \u00e0quele que ter\u00e1 sido o mais participado e medi\u00e1tico acto colectivo de resist\u00eancia contra a ditadura ocorrido na nossa terra: o espect\u00e1culo de \u201ccanto livre\u201d onde deveria ter actuado, entre outros, o cantor Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia desse espect\u00e1culo tinha nascido um m\u00eas antes, no dia 31 de Janeiro, durante um jantar que decorreu no Monte Alentejano, em \u00c9vora, onde se reuniram largas dezenas de oponentes ao regime a pretexto de celebrarem aquela data hist\u00f3rica. Esses jantares, embora vigiados de muito perto pela pol\u00edcia pol\u00edtica \u2013 a tenebrosa PIDE -, estavam autorizados desde a chamada \u201cprimavera marcelista\u201d, uma tentativa de reciclagem do Estado Novo que, contudo, deixou tudo na mesma\u2026 Muito amigo de Francisco Pinto de S\u00e1 (pai do anterior presidente da C\u00e2mara Municipal de Montemor-o-Novo), Zeca Afonso participou, cremos que a seu convite, nesse jantar, tendo actuado no final. Acompanhavam-no Jos\u00e9 Jorge Letria (actual presidente da Sociedade Portuguesa de Autores), o jovem cantor a\u00e7oriano Carlos Alberto Moniz e a sua companheira de ent\u00e3o, a Maria do Amparo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cine Teatro Vianense pertencia, desde 1970, \u00e0 fam\u00edlia Bai\u00e3o, muito ligada aos meios de oposi\u00e7\u00e3o ao regime. Um dos seus elementos, ent\u00e3o estudante em \u00c9vora, estava presente nesse jantar, pelo que em conversa com os \u201ccantautores\u201d logo ali delineou a possibilidade de organizarem uma sess\u00e3o de \u201ccanto livre\u201d naquela sala, marcando-se o dia 3 de Mar\u00e7o, um s\u00e1bado de Carnaval, para a sua realiza\u00e7\u00e3o. Sendo sobejamente conhecido que o Zeca Afonso encabe\u00e7ava uma longa lista de artistas proibidos pelo regime, o espect\u00e1culo foi cautelosamente divulgado como sendo de \u201cvariedades\u201d, procurando-se assim iludir a vigil\u00e2ncia da PIDE. A sua \u201ccomiss\u00e3o organizadora\u201d era composta pelo Ant\u00f3nio Murteira, de \u00c9vora e pelos jovens Lu\u00eds Filipe Branco e Francisco Bai\u00e3o, estes dois \u00faltimos de Viana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de \u00c9vora foi organizada uma excurs\u00e3o, em autocarro alugado nos \u201cBelos\u201d: o bilhete, vinte escudos, inclu\u00eda o transporte e a entrada na sess\u00e3o. Os folhetos de divulga\u00e7\u00e3o foram mandados fazer na Tipografia Diana \u2013 infelizmente n\u00e3o se conhece nenhum exemplar. O programa inclu\u00eda, para al\u00e9m de Jos\u00e9 Afonso, a participa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Jorge Letria, do grupo vocal \u201cIntr\u00f3ito\u201d (tinham sido lan\u00e7ados, anos antes, no famoso programa da televis\u00e3o \u201cZip-Zip\u201d e tinham tamb\u00e9m participado no Festival da Can\u00e7\u00e3o de 1970), um grupo de \u201cfree-jazz\u201d da linha do Estoril, os \u201cM.S.A\u201d (em que tocava um outro Chico Bai\u00e3o, mais tarde conhecido como mentor dos \u201cOrtig\u00f5es\u201d) e o Grupo Coral dos Vindimadores da Vidigueira, este \u00faltimo ent\u00e3o liderado pelo saudoso poeta Manuel Jo\u00e3o Mansos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As licen\u00e7as para a sess\u00e3o foram tiradas na C\u00e2mara Municipal pelo Lu\u00eds Filipe, que vivia em Viana e trabalhava nos escrit\u00f3rios dos \u201cMoinhos de Santo Ant\u00f3nio\u201d. Conseguiu-as sem dificuldade de maior, certamente porque naquela altura se realizavam com alguma regularidade espect\u00e1culos de variedades no Cine-Teatro Vianense \u2013 a maioria a favor da constru\u00e7\u00e3o do campo de jogos do Sporting -, pelo que aquele bem pode ter passado por ter sido apenas mais um. Mas tamb\u00e9m e sobretudo porque o funcion\u00e1rio da c\u00e2mara que as emitiu, na altura ainda h\u00e1 pouco tempo naquelas fun\u00e7\u00f5es, desconhecia por completo o interdito que pairava sobre tal naipe de artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poucos dias do espect\u00e1culo e com centenas de bilhetes j\u00e1 vendidos o regime percebeu, finalmente, que tinha autorizado algo que n\u00e3o o devia ter sido. O Lu\u00eds Filipe foi ent\u00e3o mandado chamar \u00e0 C\u00e2mara, sendo-lhe comunicado pelo Andrade, o chefe da Secretaria, que afinal ainda era necess\u00e1rio submeter \u201c\u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o superior\u201d a lista das can\u00e7\u00f5es que iriam ser interpretadas. Alinhavado esse rol de cantigas, no qual os organizadores da sess\u00e3o tiveram o cuidado de n\u00e3o fazer incluir temas que, \u00e0 partida, ainda comprometeriam mais as j\u00e1 escassas hip\u00f3teses de realiza\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o (nem pensar em incluir, por exemplo, temas como \u201cOs Vampiros\u201d ou a \u201cMenina dos Olhos Tristes\u201d), foi o mesmo entregue na C\u00e2mara. A resposta apenas chegou no pr\u00f3prio dia do evento, \u00e0s onze horas da manh\u00e3: apesar de j\u00e1 estar autorizada, a realiza\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo estava agora proibida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Jornal de Viana do Alentejo, publicada no seu n\u00famero 4 de Mar\u00e7o\/Abril de 1973, o Lu\u00eds Filipe Branco conta as perip\u00e9cias desses dias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo dia 27 [de Fevereiro de 1973], ficaram todas as autoriza\u00e7\u00f5es em ordem: na Sec\u00e7\u00e3o de Finan\u00e7as, na C\u00e2mara e na Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 28 recebemos uma comunica\u00e7\u00e3o assinada pelo chefe da Secretaria da C\u00e2mara, em que nos informava que ter\u00edamos que apresentar os t\u00edtulos das can\u00e7\u00f5es. No dia 29 fui apresentar os t\u00edtulos requeridos, mas como o chefe da Secretaria estava ausente, voltei no dia seguinte. Apresentei ent\u00e3o as can\u00e7\u00f5es e fui informado de que era necess\u00e1rio um \u201cvisto superior\u201d que o pr\u00f3prio Secret\u00e1rio iria requerer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia do espect\u00e1culo, cerca das onze horas, veio a resposta definitiva, n\u00e3o o autorizando.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos ent\u00e3o ao dia 3 de Mar\u00e7o. A vila, habitualmente calma e pacata, come\u00e7ou a ver-se repleta de gentes logo pela manh\u00e3, caras desconhecidas, muitos de cabelos compridos e com mochila \u00e0s costas, uns de transporte pr\u00f3prio, outros vindos nos transportes p\u00fablicos. A Pra\u00e7a da Rep\u00fablica e o largo em frente do Cine Teatro foram-se enchendo de gente. Entretanto tamb\u00e9m j\u00e1 tinham chegado a Viana alguns agentes da delega\u00e7\u00e3o de \u00c9vora da PIDE\/DGS, comandados pelo c\u00e9lebre inspector Melo. A sua viatura de servi\u00e7o, toda a gente a conhecia: um Volkswagen 1200 verde, com a matr\u00edcula FE-52-24. A Guarda Republicana, refor\u00e7ada com elementos vindos de \u00c9vora e de outras localidades vizinhas, tentou impedir o acesso \u00e0 vila; mas sem grande sucesso, uma vez que at\u00e9 a excurs\u00e3o organizada a partir de \u00c9vora conseguiu chegar a Viana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de todo o dia os organizadores desdobraram-se em tentativas que pudessem conduzir a um eventual desbloqueamento da proibi\u00e7\u00e3o. A intermedia\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente da C\u00e2mara de Viana, Jos\u00e9 Carlos Guerreiro Duarte, n\u00e3o resultou, o Governo Civil estava encerrado e o chefe da Secretaria da C\u00e2mara, que na altura j\u00e1 vivia em \u00c9vora, n\u00e3o se encontrou ou n\u00e3o se deixou convenientemente encontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto a tens\u00e3o ia subindo. Ao cair da noite as pessoas n\u00e3o arredavam p\u00e9, j\u00e1 toda a gente sabia que o espect\u00e1culo n\u00e3o se iria realizar. Centenas de pessoas aglomeravam-se frente ao Cine Teatro: porque estar ali, uns ao lado dos outros num espa\u00e7o que se queria p\u00fablico, em suposta transgress\u00e3o perante um poder considerado arbitr\u00e1rio e ileg\u00edtimo era, por si s\u00f3, j\u00e1 um acto de efectiva resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os acontecimentos precipitaram-se. A pol\u00edcia pol\u00edtica, acolitada pela Guarda, atarefava-se em mandar dispersar as pessoas que, por\u00e9m, insistiam em n\u00e3o obedecer. Um jovem, armado com uma simples flauta, tocava perto dos ouvidos do Tarouca, um dos agentes da PIDE. O Melo arrancou-lhe o instrumento das m\u00e3os, lan\u00e7ou-o raivosamente ao ch\u00e3o e espezinhou-o. Por esse mesmo tempo cantava o Francisco Fanhais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCortaram o bico, ao rouxinol, Rouxinol sem bico n\u00e3o pode cantar\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A certa altura o chefe dos Pides sacou da pistola, puxou a culatra atr\u00e1s e berrou amea\u00e7as. Um ano depois, a 18 de Maio de 1974 e passado que estava o pesadelo da ditadura, Nuno Gomes dos Santos, um dos elementos do grupo Intr\u00f3ito que a tudo isto assistiu, escrevia no jornal Di\u00e1rio de Lisboa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi em Viana do Alentejo, h\u00e1 tempos. L\u00e1 fomos, com as violas e as cantigas na bagagem. Era, apenas, mais um de entre os espect\u00e1culos em que particip\u00e1vamos regularmente, n\u00e3o em grandes salas, n\u00e3o com bilhetes a um pre\u00e7o exorbitante, mas para o povo, para quem n\u00e3o tinha oportunidade de ouvir sen\u00e3o o que de muito mau lhe davam, em regra, por uma r\u00e1dio demasiado presa, por uma televis\u00e3o completamente viciada. Que m\u00fasica tinha Viana do Alentejo? A que lhe davam essa r\u00e1dio e essa televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi por isso que fomos: o Jos\u00e9 Afonso, o Letria, o Intr\u00f3ito. Que as pessoas estavam entusiasmadas com o espect\u00e1culo que lhe apeteciam, via-se pelo movimento desusado das ruas, pelo aglomerado de gentes \u00e0s portas do teatro. Mas as portas estavam fechadas, e assim continuariam por toda a noite. N\u00e3o era s\u00f3 o povo que esperava por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De pistola em punho, virada para a multid\u00e3o, um senhor (?) dizia que ali n\u00e3o se ouviriam cantigas nenhumas. Outros homens (?), tamb\u00e9m armados, dissuadiram qualquer tentativa de quem queria cantar e de quem se sentia com o direito de ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 as cantigas eram recebidas de armas nas m\u00e3os\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim a multid\u00e3o acabou por dispersar. Poder-se-ia pensar que a for\u00e7a tinha vencido a can\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o! O espect\u00e1culo n\u00e3o se tinha realizado, \u00e9 certo, mas a mobiliza\u00e7\u00e3o que tinha provocado tinha-se constitu\u00eddo como uma muito bem sucedida ac\u00e7\u00e3o de luta contra o regime. Mesmo silenciado, o \u201ccanto livre\u201d ou \u201ccanto de interven\u00e7\u00e3o\u201d revelava-se possuidor de uma enorme efic\u00e1cia pol\u00edtica, nunca at\u00e9 ent\u00e3o alcan\u00e7ada por qualquer outra forma de express\u00e3o art\u00edstica. Mesmo com o bico cortado, o rouxinol tinha conseguido passar a sua mensagem\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos mais tarde seria o pr\u00f3prio Zeca Afonso a recordar este epis\u00f3dio como paradigm\u00e1tico:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlgumas das minhas interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o se chegaram a concretizar porque a Pide as impedia. Houve sess\u00f5es suspensas ou interrompidas pela pol\u00edcia pol\u00edtica no pr\u00f3prio local. Por vezes, os acontecimentos a que davam lugar estas interrup\u00e7\u00f5es, a repress\u00e3o exercida sobre os dirigentes dessas colectividades e sobre mim pr\u00f3prio \u2013 como aconteceu, por exemplo, em Viana do Alentejo quando a Pide e a GNR vieram interceptar-nos -, funcionavam como estimulante de ordem pol\u00edtica muito mais importante do que se houvesse uma interven\u00e7\u00e3o cantada\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o pr\u00f3prio regime percebeu que tinha cometido um erro grosseiro ao proibir e reprimir algo que j\u00e1 tinha autorizado. Uns dias depois destes eventos, a 19 de Mar\u00e7o, o ent\u00e3o director-geral da Cultura Popular e Espect\u00e1culos, Caetano de Carvalho, dirigia ao ministro C\u00e9sar Moreira Baptista uma curiosa exposi\u00e7\u00e3o em que afirmava a determinado passo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201d Na semana passada, noticiou o jornal \u201cRep\u00fablica\u201d que um grupo de jovens democratas ia organizar, em Viana do Alentejo, um espect\u00e1culo em que figurava como cabe\u00e7a de cartaz um desses cantores pol\u00edticos (Jos\u00e9 Afonso). Sucedeu que s\u00f3 foi poss\u00edvel intervir \u00e0 \u00faltima hora, quando j\u00e1 se encontravam centenas de pessoas junto ao local onde se ia realizar o espect\u00e1culo. Proibir o espect\u00e1culo em condi\u00e7\u00f5es destas \u00e9 tamb\u00e9m politicamente inconveniente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repress\u00e3o do regime n\u00e3o se ficou, por\u00e9m, por a\u00ed. Ainda na noite de 3 de Mar\u00e7o os organizadores da sess\u00e3o foram levados para o posto da GNR de Viana onde foram longa e surrealistamente identificados e interrogados pelo cabo Mendes, indiv\u00edduo que, mais tarde, se veio a confirmar acumular aquelas fun\u00e7\u00f5es com as de informador encartado da PIDE. Nos dias que se seguiram, em \u00c9vora, muitos dos participantes na jornada de Viana foram compelidos a comparecer na pol\u00edcia pol\u00edtica, onde tamb\u00e9m foram interrogados e amea\u00e7ados. Embora por motivos n\u00e3o directamente relacionados com o espect\u00e1culo de Viana, o pr\u00f3prio Zeca Afonso acabou por ser preso no dia 30 de Abril seguinte, tendo permanecido incomunic\u00e1vel na pris\u00e3o de Caxias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco mais de um ano passado sobre os acontecimentos de Viana do Alentejo foi uma can\u00e7\u00e3o de Zeca Afonso que deu o mote para que, numa certa madrugada de Abril, todo um Pa\u00eds cinzento e triste se tenha, de repente, alegrado e enfeitado de cravos vermelhos. Quarenta anos depois, vividas que foram algumas alegrias e, sobretudo, muitas desilus\u00f5es, eis que ecoam de novo, mais claras e necess\u00e1rias que nunca, as estrofes da can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2026 terra da fraternidade. O povo \u00e9 quem mais ordena. Dentro de ti, \u00f3 cidade!\u2026\u201d<\/p>\n<p>Francisco Bai\u00e3o \/ Mar\u00e7o de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 as cantigas eram recebidas de armas nas m\u00e3os\u2026 H\u00e1 precisamente quarenta anos, no dia 3 de Mar\u00e7o de 1973 e a pouco mais de um ano da eclos\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, Viana do Alentejo assistiu \u00e0quele que ter\u00e1 sido o mais participado e medi\u00e1tico acto colectivo de resist\u00eancia contra a ditadura ocorrido na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":16349,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[202,77],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}