{"id":16325,"date":"2013-03-02T13:10:40","date_gmt":"2013-03-02T13:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=16325"},"modified":"2021-12-17T11:37:29","modified_gmt":"2021-12-17T11:37:29","slug":"grandola-a-caminhada-de-um-poema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/grandola-a-caminhada-de-um-poema\/","title":{"rendered":"Gr\u00e2ndola, a caminhada&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/03\/752274.jpeg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16326\" alt=\"752274\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2013\/03\/752274.jpeg\" width=\"477\" height=\"300\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Gr\u00e2ndola, a caminhada de um poema<\/strong><\/p>\n<p>A Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense, na continua\u00e7\u00e3o dos festejos do seu 52.\u00ba anivers\u00e1rio, promove &#8220;um espect\u00e1culo de fino gosto musical com que deliciar\u00e1 o p\u00fablico&#8221;. Na primeira parte, o guitarrista Carlos Paredes, acompanhado \u00e0 viola por Fernando Alvim, e n\u00e3o, como anunciado no cartaz, pelo ciclista J\u00falio Abreu. Depois dele, o &#8220;Dr. Zeca Afonso&#8221;, descrito como um &#8220;inovador&#8221; com &#8220;belas e estranhas baladas&#8221;.<br \/>\nEra imposs\u00edvel sab\u00ea-lo ent\u00e3o, mas aquele concerto em Gr\u00e2ndola foi uma data marcante para Jos\u00e9 Afonso. Foi ali que conheceu Carlos Paredes e se impressionou com o seu talento. E foi o contacto com a colectividade e o conv\u00edvio com os grandolenses que o inspiraram a escrever um poema de homenagem \u00e0 cidade. Quatro dias depois do concerto, remeteu-o a um dos dirigentes da colectividade. Tratava-se, como n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil de adivinhar, de Gr\u00e2ndola, Vila Morena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passos no saibro do castelo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois, o poema vagueava pela Normandia, um entre os que seriam seleccionados para o novo \u00e1lbum de Jos\u00e9 Afonso. No Strawberry Studio, montado num castelo em Herouville e por onde tinham passado os Pink Floyd e os Rolling Stones, Jos\u00e9 Afonso, que contava pela primeira vez com a direc\u00e7\u00e3o musical de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, gravava Cantigas do Maio.<br \/>\nDisco maior na hist\u00f3ria da m\u00fasica portuguesa, abrindo-a a novas influ\u00eancias e nova instrumenta\u00e7\u00e3o, teve no seu centro uma can\u00e7\u00e3o despojada a nada mais que vozes e ritmo marcado por passos arrastados.<br \/>\nGr\u00e2ndola, Vila Morena, que desde 1964 tinha perdido uma estrofe (&#8220;Capital da cortesia \/ N\u00e3o se teme de oferecer \/ Quem for a Gr\u00e2ndola um dia \/ Muita coisa h\u00e1-de trazer&#8221;) e ganho outra (&#8220;\u00c0 sombra de uma azinheira \/ Que j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade \/ Jurei ter por companheira \/ Gr\u00e2ndola, a tua vontade&#8221;), transp\u00f4s para som a homenagem do poema.<br \/>\nComo descrito no livro Jos\u00e9 Afonso \u2013 O Rosto da Utopia, de Jos\u00e9 A. Salvador, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco sugeriu que fosse cantada \u00e0 moda dos coros masculinos alentejanos, com cada quadra repetida por ordem inversa dos versos. Como acompanhamento, o som de p\u00e9s arrastando-se pelo ch\u00e3o, aquele que os membros dos coros produziam no balan\u00e7o que lhes marca o cantar.<br \/>\nEis ent\u00e3o, numa madrugada de Outubro de 1971, Jos\u00e9 Afonso, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, o guitarrista Carlos Correia (B\u00f3ris), Francisco Fanhais e restante equipa, &#8220;armados&#8221; com oito microfones, caminhando sobre o saibro que rodeava o castelo.<br \/>\nO poema tornava-se can\u00e7\u00e3o e, tr\u00eas anos depois, a can\u00e7\u00e3o tornava-se senha. Os passos gravados num castelo franc\u00eas j\u00e1 eram outra coisa. A marcha dos militares no dia 25 de Abril.<\/p>\n<p>A letra<\/p>\n<p>Gr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nDentro de ti, \u00f3 cidade<\/p>\n<p>Dentro de ti, \u00f3 cidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<\/p>\n<p>Em cada esquina um amigo<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<\/p>\n<p>Terra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<\/p>\n<p>\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\nGr\u00e2ndola a tua vontade<\/p>\n<p>Gr\u00e2ndola a tua vontade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\n\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<\/p>\n<p>Texto publicado na edi\u00e7\u00e3o impressa de 25 de Abril de 2010<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/politica\/noticia\/grandola-a-caminhada-de-um-poema-1585167\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> M\u00e1rio Lopes | P\u00fablico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gr\u00e2ndola, a caminhada de um poema A Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense, na continua\u00e7\u00e3o dos festejos do seu 52.\u00ba anivers\u00e1rio, promove &#8220;um espect\u00e1culo de fino gosto musical com que deliciar\u00e1 o p\u00fablico&#8221;. 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