{"id":15845,"date":"2012-11-16T15:43:42","date_gmt":"2012-11-16T15:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=15845"},"modified":"2022-02-18T02:39:47","modified_gmt":"2022-02-18T02:39:47","slug":"partilhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/partilhas\/","title":{"rendered":"Por terras da Covilh\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2012\/11\/302779_543870878961266_67543292_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15846 size-full alignright\" title=\"302779_543870878961266_67543292_n\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2012\/11\/302779_543870878961266_67543292_n.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"320\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Afonso, em 1975, numa sess\u00e3o de canto popular no sal\u00e3o paroquial de Unhais da Serra.<br \/>\nFoto e testemunhos partilhados por Ant\u00f3nio Duarte, que acompanha Jos\u00e9 Afonso na guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sa\u00edra em Mar\u00e7o de 75 da tropa. ainda vi o ataque ao RaL1. Deve ter isto acontecido na primavera de 75. Pedi ao Fausto e Zeca para virem at\u00e9 c\u00e1, para, na Covilh\u00e3, a caminho das Penhas da Sa\u00fade, no ex-sanat\u00f3rio, onde estavam albergadas cerca de 400 pessoas que vieram de Africa, os chamados retornados, fiz\u00e9ssemos uma sess\u00e3o de canto. Veio tamb\u00e9m um grupo de teatro de Set\u00fabal. Solicitei apoio \u00e0s assistentes sociais e tamb\u00e9m \u00e0 ACM, Associa\u00e7\u00e3o Crista da Mocidade, para nos darem dormida. Veio tamb\u00e9m a Z\u00e9lia. Almo\u00e7amos na Covilh\u00e3 e seguimos para a serra. a ideia era, depois do canto, jantarmos no sanat\u00f3rio com os retornados. J\u00e1 h\u00e1 uns dias que andara por ali e n\u00e3o me apercebera que havia indiv\u00edduos revoltados com a vinda apressada para Portugal. Por uma quest\u00e3o de precau\u00e7\u00e3o pedi ao grupo que n\u00e3o se falasse em comunismo, situa\u00e7\u00e3o que embara\u00e7ou o grupo, pois a pe\u00e7a de teatro falava disso. A sess\u00e3o iniciou-se e quando chegou a vez do Zeca cantar, ele disse, com cabe\u00e7a baixa e consternado face ao ambiente &#8211; Bem vou cantar uma can\u00e7\u00e3o de amor! E cantou o Milho Verde! Uma voz soou na sala: &#8211; N\u00e3o queremos aqui comunistas! Seguiu-se um sil\u00eancio, depois as crian\u00e7as e mulheres come\u00e7aram a sair da sala, at\u00e9 que ficou quase vazia. Valeu-me a sorte de que eu conhecia l\u00e1 muita gente e pedi ajuda. Na altura o Fausto, tipo inteligente, se apercebera de que havia gente da Unita, MPLA e FNLA na sala, da\u00ed a divis\u00e3o das pessoas. Sa\u00edmos porta fora e as assistentes sociais deram-me duas cadernetas de tikes restaurant, foi a nossa sorte. Com elas fomos jantar e depois dormir. Eu tamb\u00e9m dormi com eles na camarata da ACM. Na manh\u00e3 do outro dia a Z\u00e9lia veio ter comigo para me informar que o Zeca n\u00e3o estava bem da garganta. Bem, o Zeca tinhas dessas coisas, era mesmo assim e desvaloriz\u00e1mos a situa\u00e7\u00e3o. Depois seguimos para Unhais da Serra, onde o calor das pessoas e o ambiente favor\u00e1vel nos compensou do dia anterior. E pronto! Hoje, quando penso nisso, arrepio-me! De qualquer modo foi uma vit\u00f3ria e um trabalho musical em terreno minado. O Fausto escreveu um dia sobre isso, num livro qualquer que agora n\u00e3o me lembro. Aquela atitude do tipo que gritou, tinha a ver com o facto de o Zeca ter ido a Angola, havia pouco tempo, soube depois!<\/p>\n<p>Fotografia de Francisco Carrola<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Afonso, em 1975, numa sess\u00e3o de canto popular no sal\u00e3o paroquial de Unhais da Serra. Foto e testemunhos partilhados por Ant\u00f3nio Duarte, que acompanha Jos\u00e9 Afonso na guitarra. Eu sa\u00edra em Mar\u00e7o de 75 da tropa. ainda vi o ataque ao RaL1. Deve ter isto acontecido na primavera de 75. 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