{"id":13516,"date":"2012-02-17T17:11:36","date_gmt":"2012-02-17T17:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=13516"},"modified":"2021-12-17T11:37:54","modified_gmt":"2021-12-17T11:37:54","slug":"jose-afonso-memoria-do-cantor-resiste-em-coimbra-25-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/jose-afonso-memoria-do-cantor-resiste-em-coimbra-25-anos-depois\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Afonso: Mem\u00f3ria do cantor resiste em Coimbra 25 anos depois"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria do cantor Jos\u00e9 Afonso resiste em Coimbra 25 anos depois da morte, mas tamb\u00e9m a sua m\u00fasica ecoa em cada esquina da cidade onde os amigos o recordam com emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO m\u00e9dico Rui Pato tinha 16 anos quando, em 1961, come\u00e7ou a acompanhar Jos\u00e9 Afonso \u00e0 viola, participando na grava\u00e7\u00e3o dos primeiros discos e em muitos espet\u00e1culos.<br \/>\n\u201cAs recorda\u00e7\u00f5es que tenho desse tempo s\u00e3o a incompreens\u00e3o e a repress\u00e3o que rodeavam toda a arte que o Zeca fazia, uma coisa que eu n\u00e3o vejo muito descrita\u201d, declarou Rui Pato \u00e0 ag\u00eancia Lusa.<br \/>\nNesse \u201cper\u00edodo dif\u00edcil\u201d, na d\u00e9cada de 60, \u201co n\u00facleo que apoiava o Zeca era pequeno\u201d, disse.<br \/>\n\u201cFoi o per\u00edodo em que mais contactei com ele e que mais me marcou\u201d, acrescentou.<br \/>\nO futuro pneumologista acompanhava outros cantores de Coimbra, designadamente Adriano Correia de Oliveira e Ant\u00f3nio Bernardino, e os guitarristas Pinho Brojo e Ant\u00f3nio Bernardino.<br \/>\nPato testemunhou a \u201cextrema pen\u00faria\u201d em que vivia o autor de \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d. Mesmo assim, \u201co Zeca n\u00e3o perdia o seu bom humor\u201d.<br \/>\nPara o m\u00e9dico, \u201ca matriz cultural e art\u00edstica do Zeca Afonso \u00e9 Coimbra\u201d, onde o cantor realizou apenas dois concertos entre 1961 e 1969, quando j\u00e1 n\u00e3o vivia na cidade.<br \/>\nA maior parte dos seus espet\u00e1culos, com a participa\u00e7\u00e3o de Rui Pato, realizavam-se sobretudo na zona de Lisboa, sobretudo na Margem Sul, a convite de organiza\u00e7\u00f5es estudantis e oper\u00e1rias.<br \/>\n\u201cCoimbra era uma terra ainda muito conservadora e o Zeca tinha tra\u00eddo um pouco a tradi\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o de Coimbra\u201d, al\u00e9m de ser \u201cum homem conotado com a esquerda\u201d.<br \/>\nNa sua opini\u00e3o, \u201ch\u00e1 hoje um grande respeito pelo Zeca, como homem, m\u00fasico e poeta. Tarde, mas felizmente ainda a tempo, \u00e9 uma figura j\u00e1 metida no ADN da m\u00fasica portuguesa\u201d.<br \/>\nEm 1961, quando Pato come\u00e7ou a tocar com ele, \u201cn\u00e3o se imaginava que, em grande parte dos acampamentos da guerra colonial, os oficiais ouviriam as m\u00fasicas\u201d de Zeca.<br \/>\n\u201cNem ele pr\u00f3prio tinha a no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia que tudo isso viria a ter na pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica\u201d em Portugal.<br \/>\nTeresa Alegre Portugal, antiga professora e ex-deputada socialista, conheceu Jos\u00e9 Afonso de quem recorda \u201cuma voz muito serena que chegava l\u00e1 ao ponto imposs\u00edvel\u201d.<br \/>\nNos anos 50, ent\u00e3o aluno do curso de Hist\u00f3rico-Filos\u00f3ficas, na Universidade de Coimbra, o cantor era visita frequente da casa da ent\u00e3o namorada do guitarrista Ant\u00f3nio Portugal.<br \/>\n\u201cAchei que devia reclamar uma serenata ao Ant\u00f3nio. Mas foi o Zeca que a cantou, com o Ant\u00f3nio a acompanhar\u201d, contou a ex-deputada.<br \/>\nJos\u00e9 Afonso \u201ctinha um sentido de humor verdadeiramente original\u201d, sempre \u201ccom aquela postura fora do sistema\u201d.<br \/>\nAcima de tudo, \u201cZeca \u00e9 uma das primeiras figuras de um tipo de m\u00fasica muito dif\u00edcil de classificar\u201d, afirmou Teresa Portugal.<br \/>\nQuem fala dele \u201ccomo um cantor de interven\u00e7\u00e3o est\u00e1 a limit\u00e1-lo muito. Ele vai muito para al\u00e9m disso\u201d, defendeu.<br \/>\n\u201cA sua obra perdura hoje e com muita for\u00e7a\u201d, disse Jorge Cravo, autor do livro \u201cJos\u00e9 Afonso: da bo\u00e9mia coimbr\u00e3 \u00e0 solidariedade ut\u00f3pica (1940-1969)\u201d.<br \/>\nPara este investigador, \u201cvai havendo cada vez menos um div\u00f3rcio entre Jos\u00e9 Afonso e a cidade\u201d onde \u201cteve uma vida um bocado ingrata\u201d.<br \/>\nAfinal, foi em Coimbra \u201cque ele come\u00e7ou\u201d. Um facto reconhecido \u201cem qualquer parte do mundo\u201d, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.cnoticias.net\/?p=84216\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reportagem de Casimiro Sim\u00f5es, Ag\u00eancia Lusa<\/a><\/p>\n<p><\/br><br \/>\n<a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2012\/02\/DSC03384.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-13517\" title=\"Placa Coimbra\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2012\/02\/DSC03384.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"358\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Placa de azulejos na casa onde viveu Jos\u00e9 Afonso na d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo passado \u2013 um segundo andar no pr\u00e9dio cont\u00edguo \u00e0 pastelaria Ziz\u00e2nia, na Avenida Dias da Silva em Coimbra. J\u00e1 <a href=\"https:\/\/aja.pt\/primeira-casa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostrada aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mem\u00f3ria do cantor Jos\u00e9 Afonso resiste em Coimbra 25 anos depois da morte, mas tamb\u00e9m a sua m\u00fasica ecoa em cada esquina da cidade onde os amigos o recordam com emo\u00e7\u00e3o. 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