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Cesto

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ALINHAMENTO

01. A morte saiu à rua
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Fui à beira do mar
LETRA/MÚSICA José Afonso

03. Sete fadas me fadaram
LETRA António Quadros (pintor)
MÚSICA José Afonso

04. Ó minha amora madura
LETRA/MÚSICA Popular

05. O avô cavernoso
LETRA/MÚSICA José Afonso

06. Ó ti Alves
LETRA/MÚSICA José Afonso

07. No comboio descendente
LETRA Fernando Pessoa
MÚSICA José Afonso

08. Eu vou ser como a toupeira
LETRA/MÚSICA José Afonso

09. É para urga*
LETRA/MÚSICA José Afonso

10. Por trás daquela janela
LETRA/MÚSICA José Afonso

* Um dos temas compostos para a peça de Bertolt Brecht «A excepção e a regra», também intitulada «Canta o Coolie (A caminho de Urga)», a partir da versão portuguesa de Luiz Francisco Rebello. Os restantes temas pertencem ao disco «Coro dos tribunais». A peça é levada à cena pelo Teatro de Amadores da Beira, Moçambique, a 23 de Agosto de 1966. 

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 012)
gravação

Estúdios Celada S.A. em Madrid (de 6 a 13 de Novembro de 1972)
som
Paco Molina, António Olariaga, Pepe Fernandez, Juan Carlos Ramirez, Juan António Molina
mistura
Paco Molina
produção e direção
José Niza
músicos

Trabalho de grupo de Benedicto, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho
capa
José Santa-Bárbara

Prémio Casa da Imprensa para Melhor Disco

edições estrangeiras
Moçambique, Espanha

EP's EDITADOS A PARTIR DO LP

Coro da Primavera, 1973

(Editado a partir do LP «Cantigas do Maio» e «Eu vou ser como a toupeira»)
ALINHAMENTO

01. Coro da Primavera
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Eu vou ser como a toupeira
LETRA/MÚSICA José Afonso

03. Senhor arcanjo
LETRA/MÚSICA José Afonso

04. No comboio descendente
LETRA Fernando Pessoa
MÚSICA José Afonso

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu ATEP 6571)

A morte saiu à rua, 1973

ALINHAMENTO

01. A morte saiu à rua
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Ó minha amora madura
LETRA/MÚSICA Popular

03. Sete fadas me fadaram
LETRA António Quadros (pintor)
MÚSICA José Afonso

04. Ó ti Alves
LETRA/MÚSICA José Afonso

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu ATEP 6587)

LP/33rpm

Eu vou ser como a toupeira, 1972

E Zeca no estúdio? O mesmo que fora dele, afinal. A desatenção aparente, impressa nos modos, nos gestos, em todo o seu ar. Nem por isso lhe escapa o que se passa em redor. Os directores musicais – sós ou entre eles associados ou com o próprio Zeca – são experimentados oficiais da arte. Sabem da poda, no sentido técnico, mas também criativo. Do mesmo modo o são os executantes. Mas, ainda que Ihes pertença nominalmente a orientação dos arranjos, cabe-lhe a ele a última palavra. A necessidade ou desnecessidade de um instrumento, a introdução de um compasso, o acerto ou desacerto da polifonia. Tem um ouvido exigente. "Que é que acham?" – pergunta para o lado, depois de escutar a prova da gravação. Torce o nariz. A voz saiu "semitonada", empastada a instrumentação, em excesso sobrepujante ou ao contrário. Há que repetir tudo, na melhor das hipóteses "picar" a pista para a expurgar da por vezes imperceptível mácula. Modela a boca em trejeitos exagerados, acompanhada de gestos, do lado de cá do vidro separador (da câmara de montagem) para ajudar os do lado de lá a darem corpo a uma entonação «africana», em solo ou em coro. E se a gorja se mantém encortiçada ou arredia a inspiração – coisa que o correr da manhã desvanece e o almoço reinstala até à terceira hora canónica (não litúrgica) – raspa-se para o café vizinho. "Preciso dum café!". Seguem-no alguns desertores, outros ficam. O empenhamento nem por isso deixa de ser partilhado por uns e outros, quando motivos mais prementes se não introduzem na conversação. Através da pausa, os primeiros ou na continuidade do trabalho, os segundos, é do disco que se fala e das formas fugidias de o compor.
João Afonso dos Santos, in «Um olhar fraterno»
irmão de josé afonso
Também José Niza, então produtor dos discos de José Afonso, relatou algumas formas de escapar à censura. Como os discos incluíam habitualmente 12 temas, eram pedidas ao autor 20 letras, algumas das quais "muito fortes", e, dado que a Censura não podia "cortar tudo", apenas proibia estas e acabava por deixar passar as restantes. Relativamente à canção «A morte saiu à rua», alusiva ao assassínio de Dias Coelho, Niza contou ter ele próprio negociado a sua gravação num almoço com um elemento da Censura, Pedro Feitor Pinto, que fora colega de turma de José Afonso, que, "embora do outro lado da barricada", acabou por permitir a gravação.
Irene Pimentel, in «Fotobiografia de José Afonso»
Historiadora
José Afonso dedica o tema «A morte saiu à rua» ao pintor José Dias Coelho, militante do PCP, assassinado pela PIDE, na Rua da Creche, em Alcântara, Lisboa. Tinha então 38 anos. (Clique na imagem para mais informações).
Continuação lógica de «Cantigas do Maio», este disco surge numa fase de grande empenhamento político de Zeca - que pouco tempo depois o levará novamente à prisão de Caxias. Apresentado como um trabalho de grupo, com colaborações de Benedicto García, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho. Praticamente impedido de cantar em Portugal, Zeca apresenta-se ao vivo em Espanha e em França e tenta dar conta, em disco, do que por cá se passa. Prenúncios da mudança que se avizinhava são temas como «Ó ti Alves» ou «A caminho de Urga». Mas, enquanto o dia novo não chega, Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como «A morte saiu à rua» (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) e «Por trás daquela janela» (escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso), ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista («O avô cavernoso»), faz novos apelos à luta («Fui à beira do mar», «Eu vou ser como a toupeira») e se diverte com o aparente non sense de Fernando Pessoa («No comboio descendente»), afinal a imagem perfeita de um certo "laissez faire" tão tipicamente lusitano.
Viriato Teles
Jornalista

«Eu vou ser como a toupeira», o novo LP de José Afonso, tem capa de José Santa Bárbara. Já assim sucedeu pelo menos com outros dois LPs do mesmo compositor e intérprete, e tanto quanto julgamos saber o artista gráfico, amigo de longa data do professor de Setúbal, vê com bonomia esta encomenda anual: todos os anos na mesma altura... mais um LP, mais uma capa para "aviar". "O Zeca é muito engraçado" - contou-nos Santa Bárbara a propósito deste novo trabalho.
"Perguntei-lhe o que é que queria pôr na capa, o que é que me sugeria, e ele respondeu: lê a minha entrevista em tal sítio, vem lá tudo".
Resultado:
Fiquei um bocado na mesma" - acrescentou o capista.
Como o título, aliás tirado do de uma canção, fala em toupeiras, procurar Santa-Bárbara um destes bichos num velho dicionário ilustrado. Às tantas achou: uma bela, circunspecta toupeira "muito bem esgalhadinha". E de surgir outra ideia: circundá-la com significados insertos no mesmo dicionário. É esse o elemento central da capa. À volta, uns filetes discretos enquadrando a toupeira, significados, nome do LP, nome do artista - e a etiqueta. Tudo a preto sobre fundo branco.
"Não sei se o Zeca vai gostar", adiantou Santa-Bárbara, que é pintor e está casado com uma colega de Artes Plásticas. "Pretendi dar a este disco um toque diferente. A fotografia do Zeca aparece, mas lá dentro. Vamos a ver..."

Santa-Bárbara, capista de Zeca, in «Musicalíssimo», 24.11.1972