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LP/33rpm

Enquanto há força, 1978

ALINHAMENTO

01. Enquanto há força
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Tinha uma sala mal iluminada
LETRA/MÚSICA José Afonso

03. Um homem novo veio da mata
LETRA/MÚSICA José Afonso

04. Ali está o rio*
LETRA Luis Francisco Rebelo/José Afonso
MÚSICA José Afonso

05. Arcebispíada
LETRA/MÚSICA José Afonso

06. Barracas ocupação**
LETRA/MÚSICA José Afonso

07. Eu, o povo
LETRA Mutimati Barnabé João
MÚSICA José Afonso/Fausto Bordalo Dias

08. A acumpunctura em Odemira
LETRA José Afonso
MÚSICA José Afonso/Fausto Bordalo Dias

09. Viva o poder popular
LETRA/MÚSICA José Afonso

*«Ali está o rio»: tema baseado na peça de Bertolt Brecht «A excepção e a regra»
**«Barracas ocupação»: tema para a peça homónima de Richard Démarcy. Esta é a última de um conjunto de quatro peças sob o título «Fábulas teatrais sobre a revolução portuguesa» relacionadas com os acontecimentos mais marcantes do processo revolucionário português, especialmente a luta pelo poder em 28 de Setembro de 1974, o golpe de estado do 11 de Março de 1975, a ocupação das terras e a batalha pela reforma agrária, o movimento de ocupação de casas e as acções dos soldados. Ler mais.

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 054)
gravação

Estúdios Arnaldo Trindade
som
Moreno Pinto
arranjos e direcção musical
Fausto Bordalo Dias e José Afonso
músicos

Michel Delaporte, Pintinhas, Guilherme Scarpa, Fausto, José Luís Iglésias, Manuel Guerreiro, João Rodrigues, João Magalhães, Ermenegildo, Paulo Godinho, Dimas Pereira, Yório, Alfredo Vieira de Sousa, Cecília, Grupo de Cantigas do Centro Cultural de Anadia, Guilherme Inês, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral, Rão Kyao, Luís Duarte, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho e Pedro Afonso na voz solo de “Maravilha, maravilha”
instrumentação
Guitarra acústica e eléctrica, violino, guitarra portuguesa, sistre, viola, alaúde, flautas, clarinetes, harmónicas, baixo, acordeão e percussões diversas.
capa
José Santa-Bárbara

edições estrangeiras
Espanha e França

Relembro a minha admiração e respeito quando, nos já longínquos tempos dos Encontros de Música Contemporânea da Fundação C. Gulbenkian, frequentemente encontrava o José Afonso na plateia do Grande Auditório. Era um dos raríssimos praticantes de “outras músicas” que regularmente frequentava aquelas manifestações, por muitos então consideradas como marginais e “inaudíveis”... Sempre me foi alguém de curiosidade constante, na sua abrangência de estéticas e pertinente interrogação de processos e conceitos. Tive o prazer de o encontrar uma primeira vez num palco de ocasião, no então Pavilhão dos Desportos, em alguma das muitas manifestações que se sucediam no decorrer do PREC. Eu estava lá com o meu grupo Plexus, e juntamo-nos todos ao Zeca, em espontâneo acompanhamento de algumas das suas canções. Ainda era a festa, pá! Depois foi a minha honra com as colaborações em alguns dos seus discos. «Enquanto há Força» (1978), «Fura Fura» (1979), «Como se Fora meu Filho» (1983), «Galinhas do Mato» (1985). No decorrer de uma dessas últimas sessões de gravação, dizia-me ele que eu deveria seriamente pensar em gravar um disco a solo. Foi o primeiro a dizer-mo e foi hipótese que apenas muito vagamente me ocorrera, deixando-me então com conjecturas várias... Para mais quando ele referia a possibilidade de colaborar com algum material seu. Infelizmente, apenas em 1990, tive finalmente a oportunidade de o fazer, já demasiado tarde para o Zeca. Mas sempre me ficou a frustrante questão: E se?... Não foi já possível ouvires essa música, amigo Zeca, mas ela foi também para ti! Foste único e assim me continuarás. Sempre...
Carlos Zíngaro
Músico
Ainda sob a influência dos tempos áureos de 75, mas já com as marcas do retrocesso do processo político provocado pelo 25 de Novembro, este álbum mistura a esperança com o humor, a denúncia com o fervor revolucionário e transforma todos estes ingredientes» numa obra plena, daquelas que só a genialidade pode conceber. «Enquanto há força/ no braço que vinga / que venham ventos / virar-nos as quilhas»: a irreverência e o desafio, uma vez mais, a par de um certo desencanto (patente, por exemplo, em «A Acupunctura em Odemira», um tema anterior a 74 que Zeca recupera para este disco) e de uma ironia subtil, expressa nos versos quase ingénuos da segunda versão de «Viva o Poder Popular». Pela primeira vez, José Afonso reparte com ou tro compositor a autoria de duas canções: Eu, o Povo, sobre texto do poeta moçambicano Barnabé João (Mutimati Barnabé João, aliás João Pedro Grabato Dias, aliás António Quadros (Pintor). Pseudónimos de António Augusto de Meio Lucena e Quadros (1933-1994), pintor, escultor e poeta, que tem vários textos musicados por Zeca e, mais recentemente, por Amélia Muge), e «A Acupunctura em Odemira», ambas musicadas de parceria com Fausto, que com Zeca assume também a direcção musical do disco. Entre a lista dos colaboradores escolhidos para a sua concretização, podem ver-se os nomes de Michel Delaporte (que assina, aqui, a sua última participação em gravações de José Afonso), Pintinhas, Guilherme Inês, José Luís Iglésias, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral, Rão Kyao, Luís Duarte, Paulo Godinho, Yório Gonçalves, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, Alfredo Vieira de Sousa e do próprio filho de Zeca, Pedro Afonso, entre outros.
Viriato Teles
Jornalista