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LP/33rpm

Coro dos tribunais, 1974

ALINHAMENTO

01. Coro dos tribunais*
LETRA Bertolt Brecht
ADAPTAÇÃO Luís Francisco Rebelo/ José Afonso
MÚSICA José Afonso

02. O homem voltou
LETRA/MÚSICA José Afonso

03. Ailé! Ailé!
LETRA/MÚSICA José Afonso

04. Não seremos pais incógnitos
LETRA/MÚSICA José Afonso

05. O que faz falta
LETRA/MÚSICA José Afonso

06. Lá no Xepangara
LETRA/MÚSICA José Afonso

07. Eu marchava de dia e de noite (Canta o comerciante)*
LETRA Bertolt Brecht
ADAPTAÇÃO Luís Francisco Rebelo/ José Afonso
MÚSICA José Afonso

08. Tenho um primo convexo
LETRA/MÚSICA José Afonso

09. Só ouve o brado da terra
LETRA/MÚSICA José Afonso

10. A presença das formigas
LETRA/MÚSICA José Afonso

11. Coro dos tribunais*
Instrumental
MÚSICA José Afonso

* Temas compostos para a peça de Bertolt Brecht «A excepção e a regra», a partir da versão portuguesa de Luiz Francisco Rebello. A peça é levada à cena pelo Teatro de Amadores da Beira, Moçambique, a 23 de Agosto de 1966.

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 026)
gravação

Pye Records Studio, Londres (de 30 de Novembro a 8 de
Dezembro de 1974)
som
Bob Harper
assistentes
Nick, Stevie, Paul
arranjos e direção musical
Fausto
produção
José Niza
músicos

Fausto; Guitarra acústica
Michel Delaporte: percussões
Vitorino: teclados e coros
Carlos Alberto Moniz: 2ª viola e coros
Yório Gonçalves: 2ª viola
Adriano Correia de Oliveira: Coros
José Niza: Coros
capa
José Brandão
fotografia
Martin Slavin

edições estrangeiras
Moçambique, Espanha

SINGLE EDITADO A PARTIR DO LP

O que faz falta, 1975

ALINHAMENTO

01. O que faz falta
LETRA/MÚSICA José Afonso

02. Ailé! Ailé!
LETRA/MÚSICA José Afonso

FICHA TÉCNICA

edição
Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu KSAT 526)

Fausto acompanhou com assiduidade José Afonso entre 1973 e 1979. Foi director musical do álbum «Coro dos Tribunais», publicado em 1974. "O arranjo para «Tenho um Primo Convexo», é excepcional", considera hoje José Afonso que o compara a música de jazz. "É um arranjo com cinquenta e tal acordes diferentes uns dos outros contando naturalmente com as inversões", refere-me o próprio Fausto: "Trabalhei esse tema duas noites seguidas com o Zeca. Depois ainda no carro quando vínhamos para o aeroporto (o disco foi gravado em Londres) a Zélia vinha a guiar e eu a tocar viola no banco de trás para ele acertar pormenores…"
José A. Salvador, in «Livra-te do Medo, Estórias e Andanças do Zeca Afonso»
jornalista
Michel Delaporte, Vitorino, Fausto, José Afonso e Carlos Alberto Moniz fotografados por Martin Slavin.
E a sua cabeça, sempre activa, compondo. Numa viagem entre Santiago e Paris foi “O que faz falta”. "Eh, pá! Pára, pega na viola. Onde está o gravador? Assim com esse acorde". Ao chegarmos a Paris a canção já existia.
Benedicto Garcia Vilar
Músico
Venham ver, Maio nasceu. O sonho de tantos anos torna-se finalmente uma realidade, que Zeca acompanha de perto deslumbrado e com aquela vontade de virar o mundo do avesso que marcou o período mais fascinante das nossas vidas. O tempo, agora, é de preocupações prementes, há (pensamos todos) uma revolução urgente para fazer. Zeca parte para ela com todos os sentidos, ciente de que não bastou derrubar o fascismo: é preciso renovar o país e reconquistar a esperança. Coro dos Tribunais, gravado no final de 1974, em Londres, com Adriano Correia de Oliveira, Fausto (responsável pelos arranjos e pela direcção musical), Vitorino, Carlos Moniz, José Niza, o francês Michel Delaporte e o brasileiro Yório Gonçalves, é integralmente preenchido por temas escritos e compostos antes de Abril: Coro dos tribunais, O homem voltou, Ailé! Ailé!, Não seremos pais incógnitos, O que faz falta, Lá no Xepangara, Eu marchava de dia e de noite, Tenho um primo convexo, Só ouve o brado da terra, A presença das formigas. Recusando-se a alinhar no populismo demagógico, ainda que eventualmente compreensível, que caracterizou algumas criações musicais (e outras) desta época, Zeca coloca-se, uma vez mais, na linha avançada da intervenção artística, através de um disco capaz de, por um lado, corresponder às exigências do seu tempo e, por outro, não alimentar falsas ilusões relativamente ao que estava feito e àquilo que era necessário construir.
Viriato Teles
Jornalista
Programa da peça de Bertolt Brecht «A excepção e a regra», com versão portuguesa de Luiz Francisco Rebello. A peça é levada à cena pelo Teatro de Amadores da Beira, Moçambique, a 23 de Agosto de 1966.
Havia a tal associação que resolveu promover as comemorações da Tomada da Bastilha como se estivéssemos em Coimbra. A direcção mandou fazer uma réplica da fachada da Sé Velha em cartão ou madeira para montar na praça onde se faria a sessão comemorativa. No programa incluíram-se fados e guitarradas. Cantaria eu e o meu irmão. Uma peça do Brecht «A Excepção e a Regra» e um tipo, que por coincidência também era o censor da Beira, fazia uma aula com uns doutores vestidos de “baby-doll” a apanhar violetas. O doutor da censura resolveu cortar Brecht e em alguns cortes permitiu-se mesmo “reescrevê-lo” à margem propondo modificações ao texto. Perante isto o meu irmão, e depois eu, disse logo: ”Se não há Brecht, eu não canto fados”. Isto uns dias antes da festa. Ora sem fados não haveria espectáculo e o censor não poderia fazer o seu número da aula das violetas… De modo que teve de dar o dito por não dito e autorizar a representação da peça. Foi assim que o Brecht apareceu pela primeira vez no império colonial. O Zeca musicou, então, as canções que vieram a integrar o álbum «Coro dos Tribunais».
João Afonso dos Santos citado por José A. Salvador no livro "Livra-te do Medo – Estórias & Andanças do Zeca Afonso»
irmão de josé afonso